Cid Alledi Filho, ex aluno do LATEC e nosso Professor

Tenho um querido amigo espanhol, um engenheiro que abraçou a educação, que diz que você pode organizar a sua vida inteira, porém a melhor coisa que vai lhe acontecer – e que, justamente, vai fazer toda a diferença na sua vida – é o inesperado.
Minha vida tem sido pautada pelos “inesperados” e o maior deles até agora, sem dúvidas, foi ter conhecido o LATEC. Na época eu era proprietário de uma pequena empresa de viagens e eventos, dentre várias iniciativas profissionais anteriores, e a minha primeira aproximação com o departamento foi ter organizado o seu primeiro módulo internacional com a Universidade de Pádua, na Itália.
Dali para integrar uma das primeiras turmas de mestrado profissional do país foi um pulo. Isso ocorreu naquela ensolarada tarde de sábado do ano 2000, quando o telefone tocou e do outro lado da linha tinha o Prof. Osvaldo Quelhas me dizendo: “Cid, você tem um perfil acadêmico, porque você não topa o desafio de fazer um mestrado?”. Assim, dessa maneira simples, despretensiosa e “inesperada”, minha vida ali mudou de forma radical e definitiva.
Aqui no Brasil temos o hábito de dizer que “a vida começa aos 40”. Que fantástica verdade! Como sempre tive uma tendência à precocidade, minha vida, digamos assim, começou um pouco antes, aos 37 anos. Eu não imaginava voltar às cadeiras de sala de aula e muito menos tinha uma idéia exata do que representava fazer um curso de pós-graduação strictu sensu.
A partir dali, tudo o que aconteceu foi uma coisa “mágica”. Das mãos do Prof. Gilson Brito recebi o primeiro paper sobre um novo movimento empresarial: a responsabilidade social. Como eu não tinha sido autorizado a escrever sobre a corrupção nas organizações e sobre o péssimo ambiente do país para a realização de negócios, aquele estudo caiu como uma luva. Foi a  primeira aula que ministrei sobre o tema – e também a primeira da minha vida, ainda de bermudas, uma descontração que o meio acadêmico propicia.
Tornei-me professor, coordenador de cursos e eventos, consultor e voluntário nas áreas de ética, diálogo, transparência, responsabilidade social e sustentabilidade nos negócios. Não queria, não imaginei, não “esperei” nada disso.
Eu tinha somente o propósito dentro de mim de, um dia podendo, contribuir para a construção de um mundo com pessoas e organizações mais éticas, mais justas, mais sensíveis, mais cuidadosas.
Isso tudo tem se tornado possível porque um dia atendi aquele telefonema, de forma – agora sim sem aspas – inesperada.
Boa caminhada e bons inesperados a todos.
 

Cid Alledi Filho